Friday, June 30, 2006


Artigo escrito pela jornalista Adelyne Lacerda e traduzido por mim publicado na revista Norte Americana de Arte: NY ARTS MAGAZINE
O artigo fala do cenário das artes plásticas no Brasil em especial a minha produção.
Segue abaixo a versão em português
Arte no Brasil – Conceito tropical
Adelyne Lacerda

Traçar um panorama sobre a arte brasileira hoje, impõem uma grande responsabilidade para quem o faz. Seria uma prepotência dizer quais os artistas que mais se destacam num cenário tão promissor, em uma das nações mais proficientes (competentes) em artes visuais.
Porém já é possível perceber que uma “mudança de conceitos” tem aberto as portas de museus, galeria, e principalmente lares, para o que se produz hoje no país.
O espectador e o crítico procuram enxergar através do olhar do artista e não mais somente o que está na tela (suporte).

Há pouco tempo o mercado cultural demonstrava uma grande estima pela “arte conceitual” e atualmente vemos que isso está ultrapassado. O artista brasileiro, em sua maioria, continua resgatando elementos vindos da vivência individual e coletiva porém de modo mais subjetivo, experimentando todas as possibilidades de linguagens estéticas. É moderno e criativo, sem se distanciar de sua memória afetiva e cultural. Constrói uma realidade buscando no passado as referências. Por isso, quase sempre, em uma obra de arte original e contemporânea, observa-se a presença de elementos regionais mas de uma forma bem mais implícita.

Arte no Brasil também é um exercício de resistência. Num país onde ainda se convive com desigualdades sociais, o consumo de cultura ainda é muito complicado. Mas isso está mudando aos poucos com o surgimento de uma instigante produção contemporânea e com a postura de uma nova geração de artistas que parece menos preocupada com a mídia, críticos de arte e opiniões técnicas. É claro que todos querem sobreviver do que produzem, mas o que se observa é um desejo maior pelo reconhecimento popular. Atingir, sensibilizar cada vez mais pessoas que entendam sua poética, sentimentos, linguagem... e que o consumo possa se tornar então, apenas uma conseqüência desse entendimento.

Com esse perfil encontramos uma nova safra de artistas do Nordeste do país, a exemplo de Romero Brito, Rono Figueiredo e Menelau Sete, sendo os dois últimos nascidos na Bahia - estado conhecido no mundo inteiro por suas riquezas naturais e culturais, pelo colorido tropical de suas praias e do carnaval de rua com sua autentica musicalidade. Pois nas artes plásticas os baianos seguem a tendência dessas vibrações, cada um com suas referências particulares, porém com linguagem própria. Nesse cenário podemos destacar o jovem artista plástico, Rono Figueiredo que assim como Menelau e Romero - já conhecidos em Nova York- começa a conquistar os americanos através do magnetismo de sua arte. Rono surge com todos os elementos que se encaixam no atual panorama e se destaca pela originalidade do traço limpo, linear, firme e cheio de personalidade. Tem o que se pode chamar de “identidade” inconfundível. É como ver um quadro de Pablo Picasso sem assinatura e dizer: é um Picasso!

A arte de Rono é divertida, alegre e ao mesmo tempo introspectiva. O mistério está sempre presente no olhar de suas mulheres estilizadas. Seja na série “África” ou na “As faces de Maria” – título de sua primeira exposição individual em cartaz na galeria do Theatro XIII, o espaço cultural mais “cult” da capital baiana , a cidade de Salvador.

Em “As faces de Maria” Rono abusa das cores vibrantes que perecem querer explodir na tela ao serem contidas pelo forte contorno preto – característica principal de sua obra. Seus desenhos são simples mas bastante expressivos e nos remetem a personagens de histórias em quadrinhos.
Nessa série o artista homenageia mulheres do cotidiano da cidade e personagens da sua cultura. Em Abaeté – tela exposta na galeria N° 22, em Londres - Rono recria uma típica lavadeira da lagoa do Abaeté, um dos pontos turísticos mais visitados no mundo.

“Procuro retratar diferentes raças e etnias em situações do cotidiano valorizando formas e curvas. O nome “Maria” por ser muito comum no Brasil foi uma forma de criar uma identificação entre as mulheres e as personagens representadas na minha arte”, disse Rono Figueiredo sobre o motivo dessa homenagem.

Já na série “África”, o artista investiga suas raízes mas rompe as amarras através de uma linguagem singular. Não está preocupado com o “discurso” sobre arte conceitual e sim com a comunicação com o público através da expressão de sua poética. E nisso ele é fantástico. Utiliza os tons terrosos com muita propriedade e a técnica mista ao criar com cera, acrílica e papel seda, texturas inusitadas.

”Esta série tem bastante influencia da cultura africana, com seus simbolismos, crenças e costumes. Seria impossível ficar imune a uma cultura tão rica e tão presente em minha cidade. O resultado é fruto de pesquisa e vivência nesse lugar tão rico em manifestações culturais”, complementa o artista.

Rono tem estilo próprio mas é claro que sua obra também sofre influências de outros artistas como o cromatismo de Frida Khalo e o desenho de Modigliani. Mas são pequenas referências em sua memória perceptiva. A personalidade desse artista já é tão forte que não deixa dúvidas ao bom observador que tivesse que arriscar identificar uma pintura dele sem assinatura. “sim, esse é um Rono Figueiredo”, diria sem pestanejar.

Veja outras obras de Rono:
www.ronofigueiredo.blogspot.com

1 Comments:

Blogger rono figueiredo said...

Agradeço muito a todos pela visita e pelos comentários carinhosos. Continuem deixando suas mensagens, esse retorno é muito importante para mim como artista. Se possível deixem um contato para eu responder.
UM abraço
Rono
www.ronofigueiredo.blogspot.com
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I thank you all for the visit and the kind comments. Please Keep commenting, it's important to me as an artist to hear your opinion. Leave an email or something so that I can return you visit.
All the best
Rono
www.ronofigueiredo.blogspot.com

9:35 AM  

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